Ontem conheci Chen Tê personagem de Denise Fraga na peça “A alma boa de Setsuan” de Bertolt Brecht. Uma mulher-menina que é abençoada por ceder sua pequena casa à seu Deus. Por conta disso é tida como a “alma boa” da cidade. Por ser tão boa e não conseguir se negar aos outros, acaba muitas vezes se prejudicando e não sendo reconhecida por suas atitudes. Para poder dizer “não”, ela usa da fantasia de um primo e assim colocar seu lado racional e egoísta (se é que ela consegue ser assim...). Os cidadãos do local tiram proveito de suas boas ações afim de benefícios próprios e prejudicando Chen tê.
Denise coloca no folder de apresentação do espetáculo um texto sobre a bondade da personagem e a nossa. Bondade essa que ela cita como hoje vista como bobagem. Ser bom hoje significa ser bobo. E é verdade. Não somos mais reconhecidos por uma boa atitude e sim pela esperteza, pelo “jeitinho” de se dar bem em cima dos outros.
Altruístas poucos são reconhecidos em trabalhos, em rodas sociais e na política. Sempre que surge alguém querendo estender sua mão a outro alguém, as interpretações podem ser das mais absurdas e injustas. Desde os pensamentos como uma mão lava a outra até mesmo à construção de imagem de bom samaritano.
Por muitas, mas muitas vezes, me arrependi de ter sido o bonzinho. O que calou para não prejudicar ninguém ou por ter dito um sim que iria me prejudicar, mas beneficiar outrem. Procuro formas para deixar de ser tido como “bonzinho” (sinônimo de bobinho na realidade), mas será que estou correto? Será que posso estender minha mão sem medo de que me levem o braço inteiro? Posso fazer tanto com esse braço estendido, mas tenho receio e sei que não posso.
Pensei muito nisso. Espero que vocês também. Assim como finaliza a peça:
- Deve haver uma saída.
- TEM DE HAVER!!!
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